terça-feira, 12 de abril de 2011

Tiririca devolve dinheiro gasto em resort

Dyelle Menezes
Do Contas Abertas

Consagrado nas urnas como o deputado recordista nas últimas eleições, com 1.350.000 votos, o deputado federal Francisco Everardo Oliveira Silva, o palhaço Tiririca (PR-SP), já se livrou da primeira polêmica em seu mandato, ao devolver R$ 971,00 aos cofres públicos.

O problema começou quando em março o deputado gastou R$ 971,00 em  resort de Fortaleza, capital de seu estado natal, Ceará. O jornal “O Estado de S. Paulo” divulgou a informação que constrangeu o parlamentar, fazendo-o devolver a verba indenizatória indevidamente utilizada.

A restituição confirmada pela assessoria de imprensa da Câmara dos Deputados  diz respeito às notas fiscais referentes aos valores de R$ 660 com hospedagem e de R$ 311 com alimentação no Porto d’Aldeia Resort.

O gabinete do deputado assim se manifestou: “É fato que o deputado Tiririca estornou o recurso. Assim, encerra-se a discussão. A devolução foi feita para corrigir um mal entendido burocrático. Trata-se de uma decisão que reconhece e corrige um erro cometido pelo assessor responsável pelo serviço que monta o processo para as restituições.”

O hotel em que Tiririca se hospedou em Fortaleza, em meio a dunas com piscina e vista para o mar, está a três mil quilômetros de sua base eleitoral, São Paulo.

Os gastos com a viagem não constam mais no portal de transparência do site da Câmara dos Deputados. Sem os valores da hospedagem e alimentação na capital cearense, as despesas do gabinete de Tiririca se resumem a R$ 541,33 (combustíveis), R$ 411,90 (alimentação), R$ 138,78 (serviços postais) e R$ 341,78 com telefonia. No total,  R$ 1.433,59 no mês de março , nada fora do normal.

O ato nº 43 de 2009, da Mesa da Câmara, é claro sobre a utilização da cota parlamentar que cada deputado tem direito para efetuar despesas relacionadas com o desempenho do mandato. Segundo a norma interna, essa verba destina-se “a custear gastos exclusivamente vinculados ao exercício da atividade parlamentar”. Por ser representante do eleitorado paulista, Tiririca recebe cerca de R$ 27 mil mensais de benefício extra, além do salário.

A devolução foi realizada cerca de uma semana depois do jornal “O Estado de S. Paulo” publicar os gastos públicos do deputado mais votado das eleições de 2011. A reportagem confirmou com o gerente do hotel, Décio Girão, a presença de Tiririca como hóspede há cerca de três semanas. A diária do hotel custa, no mínimo, R$ 165. Além disso, o noticiário da imprensa local cearense informou que o parlamentar visitou parentes entre os dias 19 e 21 de março.

Na ocasião, os jornalistas procuraram a assessoria do deputado para saber qual a atividade ligada ao mandato que o levou a pedir reembolso da despesa em Fortaleza. No entanto, a assessoria de Tiririca se limitou a dizer que “a conduta do parlamentar está dentro dos limites previstos às prerrogativas do mandato. Portanto, ele não se afastou das normas legais ou das regras estipuladas”.'

Outra polêmica

Um dia antes da denúncia sobre os gastos no resort, o Estado de S. Paulo havia revelado que Tiririca usa o dinheiro da Câmara para empregar humoristas do programa de televisão A praça é nossa. Foram nomeados como secretário parlamentares, José Américo Niccolini e Ivan Oliveria, com salários que podem chegar a R$ 8 mil mensais, se forem somadas as gratificações.
Os humoristas moram em São Paulo e não cumprem expediente diário, até porque Tiririca ainda não possui escritório na capital paulista. A reportagem revelou ainda que os dois assessores ajudaram o então palhaço, a criar os polêmicos slogans veiculados na campanha eleitoral passada: “Vote Tiririca, pior do que está não fica’’e “ O que é que faz um deputado? Na realidade, não sei. Mas vote em mim que eu te conto”.



Fonte: Contas Abertas

sábado, 2 de abril de 2011

Tiririca já paga resort com dinheiro público

Deputado apresentou à Câmara pedido de reembolso de R$ 660 por hospedagem em Fortaleza (CE), a 3 mil quilômetros de sua base eleitoral


Leandro Colon, de O Estado de S. Paulo, e Eduardo Bresciani, do estadão.com.br
BRASÍLIA - Com apenas dois meses de mandato como deputado, o palhaço Tiririca (PR-SP), eleito por São Paulo, já usou o dinheiro da Câmara num resort em Fortaleza (CE), capital de seu Estado natal, que fica a 3 mil quilômetros de sua base eleitoral. Ele apresentou à Câmara em março o pedido de reembolso de notas fiscais de R$ 660 de hospedagem e R$ 311 de alimentação no Porto d’ Aldeia Resort, hotel que fica em meio a dunas, com piscina e vista para o mar na capital cearense.
Celso Junior/AE - 16.02.2011
Celso Junior/AE - 16.02.2011
Segundo assessoria, Tiririca agiu conforme às regras
O ato n.º 43 de 2009 da Câmara dos Deputados é claro sobre a utilização da cota parlamentar que cada deputado tem direito para efetuar despesas relacionadas com o desempenho do mandato. Por ser representante do eleitorado paulista, Tiririca recebe cerca de R$ 27 mil mensais de benefício, além do próprio salário.
Segundo a norma interna, essa verba extra deve ser "destinada a custear gastos exclusivamente vinculados ao exercício da atividade parlamentar".
O gerente do resort, Décio Girão, confirmou ao Estado a presença de Tiririca como hóspede há cerca de duas semanas. A diária do hotel custa, no mínimo, R$ 165 - a despesa com hospedagem ficou em R$ 660.
Noticiário da imprensa local informou que, entre 19 e 21 de março, Tiririca esteve em Fortaleza para visitar parentes.

Do ESTADÃO.COM.BR

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Tiririca emprega os amigos humoristas, que ficam em SP, com salário de R$ 8 mil

Colegas de profissão e criadores dos slogans da campanha eleitoral do palhaço mais votado do País, José Américo Niccolini e Ivan de Oliveira são pagos sem precisar dar expediente na capital federal
Leandro Colon, de O Estado de S. Paulo
BRASÍLIA - Deputado mais votado do Brasil, com 1,3 milhão de votos, o palhaço Tiririca (PR-SP) usa dinheiro da Câmara para empregar humoristas do programa A Praça é Nossa. Em 23 de fevereiro, foram nomeados como secretários parlamentares os humoristas José Américo Niccolini e Ivan de Oliveira, que criaram os slogans da campanha eleitoral do deputado. Ambos recebem o maior salário do gabinete, de até R$ 8 mil, somadas as gratificações.
Celso Junior/AE
Celso Junior/AE
Durante a campanha, Tiririca ficou conhecido pelo slogan 'pior do que está não fica'
Niccolini é presença semanal na TV com o personagem Dapena, uma sátira do apresentador da TV Bandeirantes José Luiz Datena. No ano passado, durante as eleições, o humorista foi protagonista de um quadro cômico que interpretava os então candidatos José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT).
Os humoristas nomeados por Tiririca moram em São Paulo e não cumprem expediente diário como servidores da Câmara - até porque Tiririca não tem escritório político na capital paulista. Niccolini e Oliveira ajudaram a fazer dois dos slogans principais da campanha: "Vote no Tiririca, pior do que está não fica" e "O que é que faz um deputado federal? Na realidade, não sei. Mas vote em mim que eu te conto".
Ideias. Procurado pelo Estado, Niccolini justificou a sua contratação na Câmara com a seguinte frase: "A gente é bom para dar ideias". "Ele (Tiririca) escolheu a gente porque ajudamos na campanha, só por isso. Porque acredita que podemos dar boas ideias."
Os dois secretários parlamentares de Tiririca fazem parte do grupo de humor Café com Bobagem, que, entre outras coisas, tem parceria com o A Praça é Nossa, programa da emissora SBT, onde conheceram o palhaço há dez anos. Por sinal, é no escritório do Café com Bobagem, em São Paulo, e não num lugar ligado ao mandato de Tiririca na Câmara, que os humoristas contratados trabalham diariamente.

quinta-feira, 31 de março de 2011

TJ-RJ mantém decisão que condena música de Tiririca por racismo

A 16ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio manteve nesta terça-feira (29) decisão que condena a gravadora Sony Music por causa da música "Veja os cabelos dela", composta pelo agora deputado Tiririca (PR-SP).

Sérgio Lima-2.mar.11/Folhapress
Francisco Everardo Oliveira Silva, o Tiririca, durante sessão da Comissão de Educação da Câmara dos Deputados
Francisco Everardo Oliveira Silva, o Tiririca, durante a primeira sessão da Comissão de Educação da Câmara dos Deputados

A decisão confirma sentença de 2004 que estipulava indenização de R$ 300 mil. A Câmara também determinou ontem a correção monetária retroativa desde 1997, quando o processo foi ajuizado.

A indenização, que deve ser destinada ao Fundo de Defesa de Direitos Difusos, foi calculada a partir lucros obtidos com as vendas do disco na época.

A ação foi movida pelas ONGs Centro de Articulação das Populações Marginalizadas, Instituto das Pesquisas das Culturas Negras, Grupo de União e Consciência Negra e Instituto Palmares.

Segundos as entidades, a música gravada por Tiririca é racista. "Essa nega fede, fede de lascar/ Bicha fedorenta, fede mais que gambá", diz um dos trechos da canção.

"Embora a expressão 'nega' possa realmente ser utilizada popularmente dentro de um contexto afetivo, sem qualquer conotação racial, no presente texto, a combinação de tal expressão com a alusão a cabelos característicos da raça negra, que são pejorativamente comparados a 'bombril de ariar panela', seguidos de referências ao 'fedor da nega', comparado a um gambá, caracteriza a ofensa indiscriminada às mulheres da etnia negra", afirma o desembargador Mario Robert Mannheimer, relator do caso, na decisão de 2004.

A gravadora diz que vai recorrer da decisão e lembra que já depositou parte do dinheiro em juízo. Tiririca não tem mais contrato com a Sony Music. O deputado também não foi colocado pelas entidades como parte do processo.

Lançado em 1996, o disco de Tiririca vendeu cerca de 250 mil cópias antes de ter 80 mil unidades recolhidas.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Na 1ª fila, Tiririca diz que 'deu para entender' trabalho de comissão

MARIA CLARA CABRAL
DE BRASÍLIA


Na posse como integrante da Comissão de Educação e Cultura da Câmara, o deputado Tiririca (PR-SP) sentou-se na primeira fila e disse que "deu para entender legal" os trabalhos.

O humorista ainda prometeu apresentar projetos relacionados ao circo e afirmou que vai dar para "aproveitar a comissão, pois tem vivência como palhaço e sustentou seis filhos".

Ao ser questionado se trabalharia com humor disse: "humor é lá fora. Vocês confundem. O palhaço é lá, aqui tem até o negócio do decoro né?".

Ontem, o deputado mais votado do país com 1,3 milhão de votos disse à Folha que as críticas que fizeram contra ele por sua participação na comissão foram preconceituosas.

"[Preconceito] que existiu até para eu chegar aqui, mas foi o povo que me colocou aqui e a voz do povo é a voz de Deus", afirmou.

Tiririca teve a diplomação para o cargo ameaçada após suspeita de falsificar a declaração de que sabia ler e escrever. Ele foi inocentado pela Justiça depois de fazer uma prova de leitura.

Sérgio Lima/Folhapress

Na primeira sessão da Comissão de Educação e Cultura da Câmara, Tiririca (PR-SP) sentou-se na primeira fila