domingo, 3 de março de 2013

Tiririca grava CD em que conta sua experiência como deputado

Parlamentar mostrou na Câmara CD intitulado 'Tiririca - Direto de Brasília'.
Uma das faixas é 'Estou no Poder', que ele classifica como um 'desabafo'.


Fabiano CostaDo G1, em Brasília
Eleito deputado federal com uma votação recorde em 2010, o palhaço Tiririca (PR-SP) gravou um CD no qual conta sua experiência como parlamentar. Intitulado “Tiririca – Direto de Brasília”, o disco tem 13 faixas, das quais uma se chama “Estou no Poder”

Segundo o deputado, a música é um "desabafo" em razão das críticas que recebeu ao ser eleito, motivadas, especialmente, por acusações de que era analfabeto. O parlamentar correu o risco de não tomar posse por conta de denúncias de que ele não sabia ler nem escrever.

Um dos trechos da música diz que muitas pessoas fizeram “fofocas”, afirmando que ele não sabia ler.
“Eu cheguei no poder; todo mundo está vendo; eu cheguei no poder e agora estou podendo; me criticaram bastante, disseram que eu não sabia ler; fizeram muitas fofocas, que eu não sabia escrever; fiz o teste, passei e todo mundo viu; e os que me criticaram vão para...”, canta Tiririca na música.
Tiririca lança CD sobre sua experiência como deputado (Foto: Fabiano Costa/G1)Tiririca lança CD sobre sua experiência como deputado (Foto: Fabiano Costa/G1)
O álbum é o sexto CD de Tiririca, artista que ficou famoso no país inteiro com o hit “Florentina”. Segundo o deputado, a maioria das músicas do novo disco é de sua autoria.
Nesta terça (26), Tiririca foi tema de reportagem publicada na versão online do jornal “Financial Times”, um dos periódicos mais prestigiados do mundo.
Com o título de “Palhaço político do Brasil perde seu sorriso”, a reportagem resgatou a trajetória do humorista brasileiro e sua imersão no cenário político, nos últimos dois anos.
CD "Tiririca – Direto de Brasília" do deputado Tiririca (Foto: Fabiano Costa/ G1)CD "Tiririca – Direto de Brasília" do deputado
Tiririca (Foto: Fabiano Costa/ G1)
Segundo a publicação, Tiririca se decepcionou com a política e, desde que foi eleito, “perdeu seu sorriso”. O palhaço que virou deputado com 1,3 milhão de votos afirmou ao diário inglês que não pretende disputar a reeleição no ano que vem.
Na manhã desta terça, Tiririca visitou o comitê de imprensa da Câmara dos Deputados. Na conversa com os jornalistas, ele brincou, contou piadas e dançou ao ritmo de sua nova música.
Apesar de ter decidido deixar a vida política assim que concluir o mandato, o deputado do PR afirmou que guardará boas memórias da experiência no Congresso Nacional.
“Isso aqui é uma experiência para mim muito bacana. Saindo daqui (da Câmara), jamais vou falar alguma coisa de mal ou ruim dos colegas deputados. Eu não vou brincar. Material até tem aqui dentro se você quiser fazer humor. Foi uma experiência boa, legal”, contou o parlamentar.
Tiririca disse que nunca sofreu discriminação ou preconceito dos congressistas. "Pelo contrário", afirmou. De acordo com o humorista, ele, inclusive, é assediado pelos colegas de Legislativo. Ele contou que já deu autógrafos para deputados, filhos de parlamentares e assessores.
Matéria publicada no Portal G1

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Sistema político brasileiro fez Tiririca 'perder o sorriso', afirma jornal inglês

'Financial Times' comparou o palhaço ao comediante italiano Beppe Grillo, cujo partido amealhou 25% das cadeiras do Parlamento do seu país

Bruno Lupion, de O Estado de S. Paulo
O jornal inglês Financial Times usou a experiência do palhaço Tiririca como deputado federal para criticar, em reportagem publicada nesta terça-feira, 26, a "disfuncionalidade" do "insano" sistema político brasileiro.
Tiririca, com cabelos pintados de loiro, no plenário da Câmara dos Deputados - Dida Sampaio/AE - 19/02/2012
Dida Sampaio/AE - 19/02/2012
Tiririca, com cabelos pintados de loiro, no plenário da Câmara dos Deputados
O texto afirma que o palhaço-político "perdeu seu sorriso" nos corredores do Congresso Nacional ao constatar que os parlamentares passam horas fazendo discursos, muitas vezes para um plenário vazio, e faltam com frequência às votações.
O jornal compara Tiririca, eleito deputado federal em 2010 pelo PR-SP com 1,35 milhão de votos, mais que o dobro do segundo colocado, ao comediante italiano Beppe Grillo, cujo partido amealhou 25% das cadeiras do Parlamento do seu país nas eleições deste domingo, 24.
"Você passa o dia inteiro aqui fazendo nada, apenas esperando para votar em algo enquanto as pessoas discutem e discutem", disse Tiririca ao Financial Times. O palhaço é um dos 9 deputados federais – de um total de 513 – que nunca faltou a uma votação e disse que isso é o "mínimo que (um parlamentar) deve fazer para cumprir com suas obrigações".
Ele afirma que não pretende se candidatar à reeleição, pois descobriu a resposta para a pergunta que repetia durante a sua campanha. "O que um político faz? Ele trabalha muito e produz pouco. Essa é a realidade", diz.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Desiludido, Tiririca quer voltar a ser palhaço

MÁRCIO FALCÃO
ANDREZA MATAIS
DE BRASÍLIA

Deputado mais votado no país em 2010, Tiririca (PR-SP) quer voltar a ser só palhaço. Desiludido com a política, ele disse à Folha que não disputará mais eleições e, findo seu mandato, em fevereiro de 2015, irá se desfiliar do PR.

Na metade da legislatura, Tiririca, que se elegeu com a promessa de descobrir o que faz um deputado, disse que já entendeu que "não dá para fazer muita coisa".

O desalento, no entanto, não é a razão para deixar o salário de R$ 26,7 mil, verba de gabinete de R$ 97.200 e direito a apresentar R$ 15 milhões em emendas.

A justificativa é a falta de tempo para se dedicar ao que mais gosta: fazer shows (que lhe rendem mais dinheiro do que a Câmara). "Eu sou artista popular. Aqui me prende muito. A procura pelos shows é enorme e não dá para fazer", afirma ele.


Acompanhar o crescimento de sua filha de três anos é outra razão. "Esses dias ela saiu nadando, é muito massa." Pai de seis filhos, Tiririca diz que não pôde estar perto dos demais e não quer repetir o erro com a pequena.

Quando voltar aos palcos, ele promete não fazer piada sobre político. "Quando a gente está fora acha que deputado não faz nada, mas eles trabalham para caramba."

Nestes dois anos na Câmara, diz ter aprendido muito: "Aqui é uma escola. Se aprende tanto ir para o caminho legal quanto ir para o 'outro caminho" [diz não ter sido convidado a entrar]. Descobriu, porém, que política não faz parte de seu projeto pessoal.

E já deixou de lado os ternos importados (Armani e Hugo Boss) que usava para imitar boa parte dos líderes do Congresso. Adotou um visual mais moderno, que inclui paletó de veludo colorido, calça jeans e gravatas inusitadas. Agora, mandou fazer camisas personalizadas. Pediu um tecido que se adapte ao clima seco da capital.

Os novos trajes já renderam brincadeiras entre os deputados mas também ajudam Tiririca a se entrosar. No tempo em que está na Câmara, fez pelo menos oito amigos, entre eles seu candidato à presidência da Câmara, deputado Júlio Delgado (PSB-MG), que perdeu a disputa ontem: "É um cara bacana".

Sobre o fato de ainda não ter discursado na tribuna da Câmara, desconversa: "Para falar o quê? Nenhum projeto foi aprovado. No dia que for, eu subo para agradecer".

Matéria publicada originalmente no Jornal Folha de S.Paulo

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Tiririca e outros 17 parlamentares estão no grupo dos mais assíduos

GABRIELA GUERREIRO
ERICH DECAT
DE BRASÍLIA


Na contramão da maioria dos deputados, um grupo de 18 parlamentares não faltou a nenhuma votação da Câmara neste ano. Entre os mais assíduos está o deputado Tiririca (PR-SP).

A candidatura do palhaço causou polêmica, em 2010. Seu principal slogan de campanha era que o Congresso, "pior do que está, não fica".


Beto Oliveira/Divulgação/Câmara dos Deputados
O deputado Tiririca (PR-SP) durante audiência na Câmara
O deputado Tiririca (PR-SP) durante audiência na Câmara
O deputado disse que não faz "mais do que a sua obrigação" por estar presente todos os dias para trabalhar. "Sempre fui comprometido com tudo o que faço. Nunca faltei meu trabalho no circo, no show e na TV. É assim que eu sei viver", disse.

Apesar da alta frequência, Tiririca nunca discursou no plenário. Nos dois anos de mandato, apresentou sete projetos de lei, com foco em ações e benefícios para atividades circenses e artísticas.

RANKING

Também figuram na lista o deputado Reguffe (PDT-DF), o mais votado para a Câmara em 2010, Rubens Bueno (PR), líder do PPS, e Mauro Benevides (PMDB-CE), ex-presidente do Senado.

Dos 18 mais assíduos, 5 são do PMDB. O PDT aparece em segundo lugar com 4 deputados, seguido pelo DEM e o PR --cada um com 3 parlamentares. O PT, PSB e o PPS têm um deputado na lista cada.

A Constituição determina que o parlamentar só perde o mandato se faltar a um terço das sessões com votações e não apresentar justificativa. Além do direito a trabalhar somente três dias por semana, os congressistas têm dois recessos por ano, em julho e em janeiro, que somam 55 dias sem atividades.

Matéria publicada originalmente no Jornal Folha de S.Paulo

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Tiririca reclama de 'interesses' no Congresso e admite abandonar a política


VALTER LIMA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, EM ARACAJU

O deputado federal Tiririca (PR-SP) afirmou que existem "outros interesses" no Congresso e que, por conta disso, admite que talvez não tente a reeleição nas eleições de 2014. Ele se disse "desacreditado da política".

"Eu não sei se pretendo continuar, por ser muito difícil lá dentro [da Câmara dos Deputados]", disse Tiririca, nesta quarta-feira (26), em entrevista à Rádio Liberdade FM, de Aracaju (SE).
Beto Oliveira/Divulgação/Câmara dos Deputados
O deputado Tiririca (PR-SP) durante audiência na Câmara
O deputado Tiririca (PR-SP) durante audiência na Câmara
Palhaço eleito com 1,3 milhão de votos, ele demonstra decepção com a burocracia do Congresso. "Eu pensei que chegando à condição que eu cheguei, ia lá e ia aprovar projetos que iam beneficiar a população e essas coisas todas, mas não é assim. Há outros interesses", afirmou.

Na entrevista à rádio, Tiririca também disse que, "para boa parte da população, o político é visto como ladrão", mas ressaltou que se sente "muito feliz" quando as pessoas o elogiam por seu trabalho na Câmara.


Matéria publicada originalmente na Folha de S.Paulo